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quarta-feira, 6 de abril de 2011

AULAS DE ECONOMIA

ECONOMIA

- INFRA ESTRUTURA: toda a sociedade humana tem uma base econômica (alicerce). A nossa estrutura é o capitalismo.

- feudalismo;
- mercantilismo;
- capitalismo comercial;
- capitalismo industrial.

A forma como a sociedade humana se organiza para produdir é a BASE ECONÔMICA dessa sociedade.

RELAÇÕES SOCIAIS: determina-se as classes sociais através da base econômica da sociedade.

SUPER ESTRUTURA: tem a ver com a ideologia, com as culturas. São valores sociais.
 

Estudar o feudalismo nos permite compará-lo com o capitalismo. Ele é um sistema históricamente determinado. Tem início, meio e fim.

CAPITALISMO: visa o lucro. A sua base é o capital. A sociedade é comandada pela lógica do capital (acumulação de bens).

CAPITAL: é o valor que se valoriza. O dinheiro torna-se capital a partir do momento que você investe nele. O dinheiro, portanto, é a representação do capital.

MODO DE PRODUÇÃO FEUDAL

FEUDO: extensão delimitada de terra. É importante aprendermos sobre o feudalismo para fazer a comparação com o sistema atual: a base econômica feudal é rudimentar e é caracterizada por uma unidade econômica auto-suficiente.

BASE ECONÔMICA: o feudo é auto-suficiente, baseado na economia de subsistência (para o próprio consumo de quem produz). Há um reduzido desenvolvimento da divisão do trabalho (só se produz aquilo que se consome). A base técnica é rudimentar (tecnologia simples).
 
Ideologia feudal: religião (ética paternalista cristã); relação de fraternidade entre os irmãos (preço justo e pecado da usura).

Servo: é um ser humano que tem direitos.
Escravo: é uma mercadoria que é vendida.

- Adam Smith: fundador da teoria econômica.

IDEOLOGIA FEUDAL/MEDIEVAL

“Ética Paternalista Cristã”

- preço justo;
- pecado da usura
- atividade artesanal regulada pelas guildas (corporações de ofício)
- caráter estático da base econômica

FATORES DETERMINANTES DO DECLÍNIO DO FEUDALISMO

Houve uma conjunção de fatores:

- mudanças na técnica de cultivo da terra;
- expansão territorial/cruzadas;
- renascimento do comércio à distância e crescimento das cidades;
- mudanças nos hábitos/padrão de consumo;
- houve pressão para ampliação do excendente; monetização das relações sociais (dinheiro, assalariamento e arrendamento da terra);

- o declínio do feudalismo decorre da interação de fatores internos e externos; as relações sociais vão se mercantilizando. As cruzadas fizeram com que houvesse uma dinâmica entre a população. O dinheiro é o facilitador de trocas (intermediário).

Marx diz que num certo sentido, o trabalho é igual, do ponto de vista social e econômico. Quando se troca mercadoria a mesma é trocada pelo valor de troca de outro produto. A exploração no capitalismo, portanto, está contida no sistema de trocas. O salário é o preço da força de trabalho. A força de trabalho é uma mercadoria que produz outras mercadorias. O valor é gerado no processo de produção e deve ser valorizado, aprovado.

TRANSIÇÃO PARA O CAPITALISMO COMERCIAL/MERCANTILISMO

- acumulação primitiva do capital: havia uma base prévia e anterior (inicial) e base pouco desenvolvida, que era violenta;
- exploração colonial/escravidão;
- formação do proletariado (passo inicial da revolução industrial, havia trabalhadores livres e assalariados);
- a transição para o capitalismo ocorre mediante a mercantilização crescente das relações sociais.

CAPITALISMO VISTO COMO MUNDO DAS MERCADORIAS

- o conceito de mercadorias é visto como “ponto de partida” para o entendimento da sociedade do capital.

HÁ UM DUPLO CARÁTER DA MERCADORIA:

1)    VALOR DE USO (trabalho concreta)
2)    VALOR DE TROCA (trabalho abstrato/social)

CERCAMENTO: o nobre expulsa o camponês de sua terra que passa a ser propriedade privada. O camponês com seus filhos vira proletário. Agora, sua mercadoria é sua força de trabalho, sua disposição à ele. Assim ele vira trabalhador assalariado.

PIB: produto interno bruto, valor das mercadorias que o país produz no período de um ano.

A mercadoria individual é a forma elementar mais simples da mercadoria. Serve para atender a uma necessidade, para ser útil. É aquilo que se faz para o mercado, para vender. Formada por uma substância abstrata, que vem do trabalho, a mercadoria estabelece uma relação social quando é comprada.

TRABALHO CONCRETO: considera a especificidade de cada ofício; profissão.
TRABALHO ABSTRATO: trabalho “em geral”    , enquanto dispêndio de energia laborativa.

•    O trabalhador vende sua FORÇA DE TRABALHO em troca de salário (o preço da força de trabalho) por uma determinada JORNADA DE TRABALHO.

EXCEDENTE: é a mais-valia. Por exemplo, em 8 horas de trabalho, 5 horas são o trabalho necessário (equivalem ao salário); as 3 horas restantes são o excedente, portanto, a mais valia.

MAIS-VALIA: equivale ao valor gerado no processo de trabalho que é incorporado ao capital. A lógica do capital impõe a busca pela ampliação da mais-valia.

MAIS-VALIA ABSOLUTA: ampliação da mais-valia por meio do prolongamento da jornada de trabalho.

MAIS-VALIA RELATIVA: ampliação da mais-valia por meio de ganho de produtividade ilimitada

O processo de revolucionamento incessante das forças produtivas ocorre com base na ampliação tecnológica da ciência.

O DESENVOLVIMENTO DAS FORÇAS PRODUTIVAS CAPITALISTAS

- Forma lógica pela qual Marx apresenta o revolucionamento do trabalho, a partir do momento que a lógica do capital toma conta da produção das mercadorias e transforma radicalmente o trabalho humano;
- Processo de passagem do trabalho artesanal para o trabalho em grande industria;
- Uma das formas de compreensão é olhando-se para a história;



CAP 11 e 12 de “O Capital”

Marx apresenta o momento de revolucionamento progressivo das forças produtivas (seção IV d'O Capital) como um processo decomposto em três etapas:

- cooperação simples: etapa inaugural da produção capitalista que ocorre com a subordinação formal do trabalho ao capital (subordinação social, mas ainda não técnica);
- a cooperação simples se caracteriza pela reunião de um conjunto de trabalhadores assalariados, produzindo mercadorias similares, sob um mesmo teto para um mesmo capitalista;
nessa etapa não se verifica qualquer alteração no processo de trabalho, que preserva as características do artesanato pré-capitalista;
- há, portanto, um “desajuste” entre a relação social avançada (capitalista) e a base técnica atrasada (pré-capitalista), representando um limite à acumulação do capital;
- apesar de não ser possuidor dos meios de produção, o trabalhador preserva a qualificação do seu ofício;

A AMPLIAÇÃO DA MAIS VALIA SE DÁ PELA FORMA ABSOLUTA

SER HUMANO: trabalho vivo, elemento subjetivo do processo de produção.

O processo de produção depende da interação entre gente e coisa; aqui surge o trabalho.

PROLETÁRIO: sujeito que só tem a força de trabalho para vender;

MERCADOR: intermediário na relação do artesão independente com o mercado;

SUBORDINAÇÃO SOCIAL: passagem de artesão independente para proletário, onde o sujeito emprega sua força de trabalho; o trabalhador se torna submisso.

MANUFATURA COMO DIVISÃO DO TRABALHO

•    O processo produtivo é decomposto em uma sequência de movimentos simples que são executados por diferentes trabalhadores;
•    O trabalho parcelar amplia significativamente a produtividade do trabalho (mais-valia relativa);
•   A expansão da mais-valia relativa é, no entanto, limitada pela permanência do elemento subjetivo (trabalho vivo) como determinante do ritmo de produção;

O SER HUMANO É UM INSTRUMENTO IMPERFEITO DE PRODUÇÃO

•    Ocorre a desqualificação/desvalorização do trabalho com a especialização (trabalho parcelar);
•    O capital ainda não superou completamente os limites da produção baseada na destreza e habilidade dos trabalhadores, por isso, a subordinação é ainda formal (não é técnica);
•    O revolucionamento das forças produtivas leva, nessa etapa, à separação entre a CONCEPÇÃO e a EXECUÇÃO, esvaziando o “sentido do trabalho”.

O trabalhador qualificado é valorizado, pois não é fácil achar outro como ele. O especialista é desqualificado, pois é especialista apenas em uma determinada àrea, não sabe fazer o resto do trabalho.

Através do conceito de mercadoria é possível entender o processo de acumulação de capital; ao produzir mercadorias, entendemos o processo de produção como um processo de geração de riqueza abstrata, daí recorre a ideia de mais-valia.

A extração do capital de forma absoluta representa um problema, por risco de matar o trabalhador.


CAPITAL é muito visto como entidade sádica, que explora o trabalhador; algo como maldade e perversão; a exploração de trabalho na verdade não é o objetivo de capital, seu objetivo é VALORIZAR O VALOR. Para isso, ele precisa explorar o trabalho, que na lógica do capital, atrapalha inclusive. Olhando para o processo, a exploração é um meio para valorizar o valor.

O TRABALHO DO HOMEM É RACIONAL

MAQUINARIA E GRANDE INDÚSTRIA

•    As ferramentas são retiradas das mãos do trabalhadores e incorporados à um mecanismo automático;
•    O ritmo da produção já não mais depende do esforço dos trabalhadores, mas sim da APLICAÇÃO TECNOLÓGICA DA CIÊNCIA à parte objetiva do capital;
•    O trabalho vivo é progressivamente substituído pelo trabalho morto como elemento central da produção (“o trabalho apendicizado, trabalho morto”);
•    Os ganhos de produtividade expandem a produção de mais-valia relativa sem limites definidos;
•    Nessa etapa ocorre a SUBORDINAÇÃO REAL DO TRABALHO AO CAPITAL (subordinação social e técnica);
•    Com a maquinaria, o capital encontra sua base técnica ideal, com a constituição das forças produtivas especificamente capitalistas;
•    Contudo, há o capital como “contradição em processo”

O ADVENTO DA MAQUINARIA REPRESENTA, PORTANTO, O TRIUNFO DA LÓGICA DO CAPITAL SOBRE AS FORÇAS PRODUTIVAS, MAS TAMBÉM APRESENTA A MANIFESTAÇÃO DO CARÁTER CONTRADITÓRIO DO DESENVOLVIMENTO CAPITALISMO.

•    O trabalhador trabalha sob pressão constante. E sabe que pode ser substituído facilmente. O capitalismo empurra esse fenômeno, do trabalhador ser substituído pelas máquinas.

AUTONOMIZAR: tornar autônomo;
Parte subjetiva: se refere ao homem; pessoa
Parte objetiva: se refere às coisas; objeto

APENDICIZADO: parte dispensável, não faz falta. O trabalhador se torna substituível, desnecessário.

AS CRISES CAPITALISTAS OCORREM PORQUE SOBRAM MERCADORIAS E NÃO PORQUE HÁ FALTA DELAS.

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (1780-1840)

Localizada geograficamente na Inglaterra e setorialmente na indústria têxtil.

> o processo é marcado por uma recessão de inovações relacionadas combinadas (processo cumulativo) e ampla difusão.

Características:
- força motriz animada é substituída pela inanimada - produção centralizada na fábrica - trabalho assalariado - divisão do trabalho (especalização, desqualificação) - senhos de produtividade ilimitados
Por que a revolução industrial ocorre inicialmente na Inglaterra e no setor têxtil?
- oferta abundante de matéria-prima (lã e depois algodão) - oferta de mão-de-obra - liberdade produtiva (fim de controles corporativos) - liberdade de comercialização (unificação do mercado nacional) - crescimento populacional - renda elevada e melhor distribuição - expansão do mercado exterior

AGLOMERADO DE INOVAÇÕES RELACIONADAS: cumulativa (uma vai se dando em razão da outra, difusão) – uma inovação se propaga, sua dimensão se amplia.

QUAIS FATORES DETERMINAM A PRECOCIDADE DO INDUSTRIALISMO BRITÂNICO?
 
Em 1840 as condições de vida da classe operária eram horríveis. 

A produção em massa exige consumo em massa.

A partir da reunião de trabalhadores assalariados tem-se a cooperação simples, que transforma a atividade em uma forma criativa, social. O trabalho não é mais uma atividade solitária e sim coletiva, desenvolvida por um grupo. A cooperação simples estatui a relação capitalista (o trabalhador recebe um salário, sai da fábrica sem o que produziu nas mãos), porém, as técnicas de produção estão atrasadas. O capital vai penetrar a técnica, a qualificação leva à desvalorização, o trabalhador não admite aceleração da produção de mais-valia.

A partir da transformação do processo de produção existe uma fragmentação das tarefas, um trabalhador só vai exercer uma função. O trabalhador apropria-se de uma maior destreza e as suas funções podem ser substituídas com facilidade colocando outro trabalhador no seu lugar. Logo, o trabalhador fica desvalorizado. Quanto mais produtivo o trabalho, o processo, mais produtos serão criados.

Adam Smith diz que uma nação que tem esse tipo de divisão deixa o trabalhador desqualificado, idiotizado, diz que é preciso existir educação. Já Marx questiona como pode existir tanta riqueza em uma nação tão pobre. Engels diz que foi o trabalho que criou o homem.

O CAPITALISMO DO SÉCULO XIX

•    1780 – 1840: Capitalismo originário
•    1830 – 1840: 1ª crise capitalista
•    1849 – 1875: Grande Expansão
•    1875 – 1896: Grande depressão do séc. XIX

SÉC. XIX – O SÉCULO DO LIBERALISMO

1)    Idéias econômicas;
2)    Capitalismo concorrencial;
3)    Livre-cambismo.

•    As idéias econômicas (economia política clássica);
•    Adam Smith – A riqueza das nações, 1776
•    Divisão do trabalho + interesse próprio + mão invisível = PRESPERIDADE E BEM ESTAR
•    No capitalismo há o interesse próprio, ou seja, é egoísta, só pensa em sí mesmo. A mão invisível é a concorrência.
•    David Ricardo – Princípios da economia política;
•    Teoria das vantagens comparativas – divisão internacional do trabalho: o livre cambismo promove a especialização produtiva das nações

INGLATERRA DO SÉC XIX - a maior potência do mundo se articulava na economia mundial baseadas no livre-cambismo - consenso liberal; os ingleses tinham em comércio a balança de comércio (exportavam muitas coisas mas importavam mais ainda); a maior potência atual são os EUA e tem déficit no mercado, assim como a inglaterra no século XIX (importações maiores que exportações); em serviços a inglaterra se destacava, assim como hoje, e principalmente juros pagos para os bancos ingleses que forneciam créditos para outros países gerando o saldo de juros atual.

As relações econômicas são entendidas no século XIX a partir da teoria do liberalismo; interpreta-se o fenômeno econômica com base na economia politica clássica (Smith e Ricardo); tais autores tem em comum a idéia de que o sistema econômico capitalista é auto-regulado, funciona sem interferência, sem controles - quanto mais livre ele funcionar, melhor.
A idéia de livre mercado e livre concorrências trás benefícios à sociedade (idéia de Estado mínimo, ausente da economia que deve ser tratada pelo privado e não pelo público).

Ricardo: defenda o comércio livre entre as nações trazendo benefícios à elas.
APITALISMO CONCORRENCIAL - marcado por mercados atomisticos
MERCADO ATOMISTICO: mercado com predomínio da pequena empresa (oposto de monopólio)
SEC XIX - concorrência entre pequenas empresas ATUAL - concorrência das grandes empresas
Os oligopólios criam seus próprios preços; o resto das empresas têm seu preço determinado pela concorrência; a pequena quantidade de empresas no oligopólio elas têm um acordo que evita a guerra de preços entre elas - capitalismo oligopólico
SÉC. XIX tinha-se a idéia de que era fácil ter uma empresa no séc. XIX; a mais fácil era a industria têxtil, pois com pouco dinheiro era possível; as barreiras da entrada (financeiras e técnicas ou tecnológicas) são fáceis e baixas, o que permite que para ter uma empresa no setor têxtil até 1850 bastava ter pouco dinheiro 


A INDUSTRIALIZAÇÃO NO SÉC XIX ERA RELATIVAMENTE MAIS SIMPLES DO QUE O DESENVOLVIMENTO DA INDUSTRIALIZAÇÃO NA ETAPA MONOPOLISTA 
 
LIVRE-CAMBISMO
BALANÇO DE PAGAMENTOS - instrumento contábil, de registro de todas as transações econômicas entre um país e o resto do mundo;toda transação que envolve entrada e saída de dinheiro com o país e o resto do mundo ali fica registrado, desde que seja uma transação legal e registradas; algumas transações existentes entre as nações que realizam entrada e saída de dinheiro são as exportações e importações (COMÉRCIO EXTERIOR) - um dos motivos pelos quais o país consegue comprar e vender produtos; há serviços comercializados entre as nações (BALANÇAS DE SERVIÇOS) que não são bens tangíveis e sim são serviços como transporte internacional (navios cargueiros - FRETE), transporte de pessoas e serviços financeiros (O MAIS IMPORTANTE).

CAPITALISMO CONCORRENCIAL

- predomínio da pequena empresa (estrutura de mercado automizado ou automístico);
- reduzidas barreiras financeiras e tecnológicas;
- fim das restrições corporativas;
- livre-cambismo;
- processo generalizado de liberalização do comércio internacional (barreiras tarifárias e não tarifárias);
- propagação do dinamismo econômico britânico;
- era visado para nações em “vias de industrialização” e para economias periféricas.

A TEORIA DAS VANTAGENS COMPARATIVAS significa cada nação se especializando. Cada uma se especializa em determinado papel que desempenha melhor e ficam dependentes umas das outras. Tal especialização acontece de acordo com a divisão internacional do trabalho.

IDÉIAS LIBERAIS: Adam Smith e David Ricardo

O capitalismo do séc. XXI é o MONOPOLISTA.
CAPITALISMO MONOPOLISTA OU OLIGOPOLISTA:  são as empresas que determinam o preço de venda dos produtos. A tecnologia é um resultado de processo cumulativo, de vários anos de pesquisa.

BALANÇA DE PAGAMENTO: todas as transações econômicas legais de um país e o resto do mundo, como a entrada e a saída de dinheiro do país.

MERCADO EXTERIOR: importações e exportações de bens tangíveis (fisícos) = relação de comércio.

BALANÇA COMERCIAL: mais exportação e menos importação.

BALANÇA DE SERVIÇOS: frete (serviços de transportes), seguros, juros, etc.

TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS - transferência apenas de ida, mas sem recebimento em troca; ex: quando pessoas iam trabalhar no exterior e mandavam dinheiro para suas famílias no brasil (algo que diminui continuamente, visto que o país está se tornando receptor de empregados)

O Brasil passou a ser receptor de trabalhores, recebeu trabalhadores de outros países e passou a ser um pólo atrativo.

Investimento de curto prazo: capital especulativo (dinheiro que circula rapidamente)
Investimento de longo prazo: capital que constitui estrutura física como multinacional que monta uma unidade em determinado país (não é um capital que circulará rapidamente e sim que visa criar raízes no local)

CONTA CORRENTE: é o resultado do comércio exterior, da balança de serviços e das transferências unilaterais (comércio exterior + balança de serviços + transferências unilaterais = conta corrente)

CONTA CAPITAL: registra as entradas e saídas de um investimento no país.

DÉFICIT: as importações são maiores do que as exportações (compra maior que a venda)

SUPERÁVIT: as importações são menores do que as exportações (venda maior que a compra)

BALANÇA DE PAGAMENTOS

CONTA CORRENTE:
•    Balança de comércio;
•    Balança de serviços
•    Transferências unilaterais;
•    Conta-capital

CONSENSO LIBERAL:
•    Países em vias de industrialização;
•    Economias periféricas (primário-exportadoras);

1830 – 1840 – PRIMEIRA CRISE CAPITALISTA (crise de excessos)

•    Desenvolvimento das forças produtivas;
•    Automatização crescente;
•    Expansão da oferta;
•    Desemprego (exército industrial de reserva);
•    Trabalho feminino e infantil com menores salários;
•    Situação de fome e desespero da classe trabalhadora (ludistas)

PRODUTOS PRIMÁRIOS: agrícola, atividade extrativa mineral e criação de animais (pecuária);

CRISE DE REALIZAÇÃO: a mercadoria é produzida pelo valor de troca (reconhecimento do valor no mercado pagando-se pelo produto).

NOTAS:
- Smith critica as idéias do Mercantilismo e defende o Liberalismo. Para ele, o Estado deve deixar de interferir na Economia;
- Nosso sistema econômico atual é mercado pelo indivíduo livre, a liberdade individual, portanto, é uma virtude do Capitalismo;
- O sujeito tem o direito de ser rico, de buscar enriquecer e o sistema Capitalista é livre nesse sentido, ninguém é impedido de buscar sua prosperidade, diferentemente dos valores do mundo feudal; sujeito é livre para ser egoísta, visto que nossa sociedade é individualista.
- O egoísmo individual corre em direção ao bem estar coletivo na idéia de Smith.Sua liberdade individual, usada em benefício próprio tem como se fosse uma força, uma mão invisível que o faz no fundo trabalhar em prol da sociedade. “Não é da benevolência do padeiro nem do açougueiro nem do cervejeiro que devemos esperar nosso jantar, mas sim da consideração que eles tẽm pelo seu próprio interesse.” – Adam Smith.

- MÃO INVISÍVEL: idéia de concorrência; ela força o indivíduo egoista a trabalhar visando atender bem seus clientes (para a sociedade) > contudo, sem concorrência o indivíduo não progride; a busca do interesse próprio, portanto, aliada à concorrência gera o bem estar coletivo, mas antes vem o bem estar individual. Nem sempre, contudo, o bem estar coletivo é realmente um bem estar, por isso um governo que fiscalize é necessário. O bem estar coletivo é comprometido pela abertura dos mercados.

VANTAGENS COMPARATIVAS - Defende a idéia da divisão internacional do trabalho: cada nação se especializando, no que chamamos hoje de globalização econômica.

Curiosidades:

Sistema absolutista de governo.
Assim como no período absolutista de governo já existia a separação das classes sociais assim permanece na atualidade. A classe burguesa era considerada e permanece sendo uma classe dominante na sociedade civil, sua representação reflete o domínio da economia e da inteligência. O período absolutista é o marco da transição do nascimento do Capitalismo, neste período ocorreu uma forte centralização nas mãos do rei. A burguesia comercial ajudou muito neste processo, pois interessava a ela um governo forte e capaz de organizar a sociedade. Portando, a burguesia forneceu apoio político e financeiro aos reis, que me troca criaram um sistema administrativo eficiente, unificando moedas e impostos e melhorando a segurança dessa classe social.
Assim como no período absolutista, existe nos dias atuais o apoio das classes altas para com o governo afim de obter benefícios para si. Os burgueses tinham como principal economia o comercio na qual o meio de produção era do proletariado ou seja, que vende sua força de trabalho e seu tempo a fim de se sustentar. E esse sistema permanece em vigor até hoje. As pessoas utilizam daquilo que sabem ou que tem para seu alto sustendo, através da venda.
Exemplo:  um professor para manter seu sustento vende seus ensinamentos para um grupo de alunos ou para uma entidade.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O MISTÉRIO SAGRADO DO CAPITAL - JULIAN GOUGH

A idéia da economia como sendo uma religião não é nova. Como apontou Max Weber, os primeiros protestantes viam o sucesso econômico como um sinal de que alguém era celestialmente eleito. Foi um pequeno passo passar disso a buscar o sucesso para assegurar a salvação. O capitalismo, como disse Walter Benjamin, pegou discretamente a Reforma Protestante e substituiu a religião por si mesmo: ele se tornou uma religião, a religião ocidental. Logo, quando o protestantismo chegou aos Estados Unidos, em sua forma mais pura, o capitalismo fezo mesmo: as Américas espanholas católicas nunca prosperaram economicamente, diferentemente da América do Norte anglo-saxã protestante.

Mas as religões evoluem e os eventos recentes mostram que o capitalismo começou a evoluir menos como os tentilhões de Galápagos (cujos bicos se ajustaram ao longo de milênios para se adequar às bagas da sua ilha individual) e, mais como o Incrível Hulk.

O capitalismo Incrível Hulk pode expandir seus músculos de Créditos tão rapidamente que suas roupas de ativos do mundo real não podem se expandir rápido o suficiente para contê-los. Expansão, colapso – o capitalismo Incrível Hulk cai, atordoado e encolhido de novo, nos trapos de seus ativos. Ou, retornando à nossa analogia religiosa, se o capitalismo fosse uma religião, ela agora seria um culto pseudocientífico prazerosamente demente.

O capitalismo Incrível Hulk está para o capitalismo Adam Smith como a Cientologia está para o Cristianismo e Cristo. Tanto as altas finanças modernas quanto a Cientologia usam a linguagem e instrumentos da ciência para fins que são religiosos, não científicos. Ambos atendem uma necessidade, um anseio que as antigas formas de religião e capitalismo não mais atendem. A necessidade de um poder misterioso maior que nós, no qual possamos acreditar. Ele precisa ser poderos – mas também deve ser misterioso. E o mistério vem desaparecendo do mundo cada vez mais rápido, desde Galileu.

Nós sabemos explicar as tempestades e inundações que antes eram evidência da irade Deus. Nós sabemos do que são feitas as estrelas e podemos computar seu curso pelos céus nos próximos 10 mil anos. Mas à medida que o avanço da ciência removeu o mistério divino de grande parte da vida, o avanço do capitalismo de livre mercado o devolveu. Apenas a economia moderna pode atualmente fornecer forças que não entendemos. E precisamos disso em nossas vidas.

De Adam Smith até o presente se passaram pouco mais de 200 anos. O Islã, o Cristianismo e as religões do Oriente levaram muito mais tempo para cobrir territórios bem menores. Por que o capitalismo moderno acelerou repentinamente, de forma explosiva, sua disseminação nos últimos 30 anos?
Para um sistema substituir sem derramamento de sangue outro sistema entricheirado, o novo deve oferecer alguma melhoria significativa. E deve oferecê-la à todos. A religião de Abraão e Moisés não explodiu pelo mundo até que Paulo decidiu tornar a versão do judaísmo prograda por Jesus aberta a todos, independente de seu nascimento. Da mesma forma, o capitalismo à moda antiga era incapaz de se tornar religião universal, porque não oferecia esperança de salvação para todos. Apenas aqueles nascidos na elite de proprietários de terras e donos de capital podiam ter acesso ao capital. Mas recentemente o aumento do capital de risco abriu o capitalismo a todos e finalmente o tornou potencialmente universal.

Apenas uma mudança era necessária e ela veio em 1971, pois enquanto o dinheiro precisava ser apoiado pelo ouro, a economia estava enraizada no mundo material (da mesma forma que o Cristianismo era apenas uma filosofia interessante enquanto Cristo estava vivo). O abandono do padrão ouro foi a crucificação e resurreição do capitalismo: o evento traumático e libertador que permitiu ao capitalismo ser puramente religioso e totalmente movido pela fé. E como todas as religiões, assim que seu elo com o mundo físico foi partido, o capitalismo de livre mercado lamentou brevemente, então experimentou um aumento de energia e expansão.

Em uma explosão de mercados de créditos, gastos geradores de déficit e dinheiro baseado em fé, ele subjugou os soviéticos e chineses e sacudiu as sociedades islâmicas até suas raízes. Ele se expandiu o mais longe e mais depressa que o islã após a morte de Maomé. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial enviaram seus missionários para cada país. E sua língua substituiu o latim como língua universal, falada por uma casta sacerdotal sombria, vestida de preto, mas expressa sem o entendimento das pessoas comuns.

As pessoas precisam disso, elas anseiam por mistérios, um sacerdócio, xamãs em contato com grandes forças. E as altas finanças modernas, como o latim da Igreja cristã, têm mistérios profundos em seu âmago. Nem mesmo banqueiros sabem o que uma obrigação de débito colateralizada ao cubo realmente é.

Enquanto antes o mistério essencial estava contido na frase “Fiat Lux” – que haja luz – ele agora está contido na frase “Fiat Money” (moeda fiduciária”. O dinheiro, essa coisa sem peso, esse espírito que está em toda parte e em lugar nenhum: este nada em tudo é o Espírito do capitalismo. E seu toque pode transformar você nessa vida, dando a ele uma grande vantagem sobre religiões anteriores, que oferecerm apenas consolo na próxima. Um banco com uma base capital de US$10 bilhões pode emprestar US$100 bilhões. Mas com esse dinheiro, as pessoas constroem casas reais, dirigem carros reais, comem pão real e bebem vinho real. Esse não é um ato de criação? Não é um mistério digno de Deus?

Um banqueiro pode fazer um empréstimo de US$ 1 bilhão para uma empresa de mineração. Esse dinheiro baseado em fé, apoiado por nada, transferido eletronicamente, é usado para transformar colinas em buracos. A mineradora envia o minério resultante para todo o mundo. Nós vivemos na primeira era em que a fé pode literalmente mover montanhas.

Os críticos do capitalismo de consumo se desesperam diante da tolice das massas, que compram o que querem embalado como se fosse o que precisam. Mas este é um entendimento equivocado da transação. Nós rezamos com nosso dinheiro, que é apoiado por nada a não ser fé e, um milagre acontece – nossas cestas se enchem de bens, muito mais coisas do que poderíamos produzir ou cultivar nós mesmos. Em todas as outras religiões, você vai ao templo e dá aos guardiões alimentos que você cultivou com dificuldade. Sob essa nova religião melhorada, o templo dá alimento à você. O que acontece, toda vez que realizamos compras, é um milagre semelhante ao dos pães e peixes.

Muitos falam sobre as desigualdades do capitalismo moderno. Mas a verdade é mais sutil e estranha. O cristianismo antes pregava a igualdade do homem, mas não conseguiu encontrar um modo de tornar real a visão. O comunismo tentou e fracassou em impôr a igualdade a nós. Mas apenas nosso capitalismo moderno, excitável, baseado na fé conseguiu esse grau de uniformidade e igualdade. A Ikea, com suas cadeiras de US$ 10, está proporcionando não apenas o céu cristão, mas também o comunista: todos iguais, sentados nas mesmas cadeiras, iluminados pelos mesmos abajures, em todo o mundo.

Texto escrito em 03.07.2007.

KARL MARX - VIDA E OBRA


Traços biográficos:

    Economista, filósofo e socialista alemão, Karl Marx nasceu em Trier em 5 de Maio de 1818 e morreu em Londres a 14 de Março de 1883. Estudou na universidade de Berlim, principalmente a filosofia hegeliana, e formou-se em Iena, em 1841, com a tese Sobre as diferenças da filosofia da natureza de Demócrito e de Epicuro. Em 1842 assumiu a chefia da redação do Jornal Renano em Colônia, onde seus artigos radical-democratas irritaram as autoridades. Em 1843, mudou-se para Paris, editando em 1844 o primeiro volume dos Anais Germânico-Franceses, órgão principal dos hegelianos da esquerda. Entretanto, rompeu logo com os líderes deste movimento, Bruno Bauer e Ruge.
    Em 1844, conheceu em Paris Friedrich Engels, começo de uma amizade íntima durante a vida toda. Foi, no ano seguinte, expulso da França, radicando-se em Bruxelas e participando de organizações clandestinas de operários e exilados. Ao mesmo tempo em que na França estourou a revolução, em 24 de fevereiro de 1848, Marx e Engels publicaram o folheto O Manifesto Comunista, primeiro esboço da teoria revolucionária que, mais tarde, seria chamada marxista. Voltou para Paris, mas assumiu logo a chefia do Novo Jornal Renano em colônia, primeiro jornal diário francamente socialista.
    Depois da derrota de todos os movimentos revolucionários na Europa e o fechamento do jornal, cujos redatores foram denunciados e processados, Marx foi para Paris e daí expulso, para Londres, onde fixou residência. Em Londres, dedicou-se a vastos estudos econômicos e históricos, sendo freqüentador assíduo da sala de leituras do British Museum. Escrevia artigos para jornais norte-americanos, sobre política exterior, mas sua situação material esteve sempre muito precária. Foi generosamente ajudado por Engels, que vivia em Manchester em boas condições financeiras.
    Em 1864, Marx foi co-fundador da Associação Internacional dos Operários, depois chamada I Internacional, desempenhando dominante papel de direção. Em 1867 publicou o primeiro volume da sua obra principal, O Capital. Dentro da I Internacional encontrou Marx a oposição tenaz dos anarquistas, liderados por Bakunin, e em 1872, no Congresso de Haia, a associação foi praticamente dissolvida. Em compensação, Marx podia patrocinar a fundação, em 1875, do Partido Social-Democrático alemão, que foi, porém, logo depois, proibido. Não viveu bastante para assistir às vitórias eleitorais deste partido e de outros agrupamentos socialistas da Europa.

Primeiros trabalhos:
    Entre os primeiros trabalhos de Marx, foi antigamente considerado como o mais importante o artigo Sobre a crítica da Filosofia do direito de Hegel, em 1844, primeiro esboço da interpretação materialista da dialética hegeliana. Só em 1932 foram descobertos e editados em Moscou osManuscritos Econômico-Filosóficos, redigidos em 1844 e deixa-os inacabados. É o esboço de um socialismo humanista, que se preocupa principalmente com a alienação do homem; sobre a compatibilidade ou não deste humanismo com o marxismo posterior, a discussão não está encerrada. Em 1888 publicou Engels as Teses sobre Feuerbach, redigidas por Marx em 1845, rejeitando o materialismo teórico e reivindicando uma filosofia que, em vez de só interpretar o mundo, também o modificaria.

    Marx e Engels escreveram juntos em 1845 A Sagrada Família, contra o hegeliano Bruno Bauer e seus irmãos. Também foi obra comum A Ideologia alemã (1845-46), que por motivo de censura não pôde ser publicada (edição completa só em 1932); é a exposição da filosofia marxista. Marx sozinho escreveu A Miséria da Filosofia (1847), a polêmica veemente contra o anarquista francês Proudhon. A última obra comum de Marx e Engels foi em 1847 O Manifesto Comunista, breve resumo do materialismo histórico e apelo à revolução.
    O 18 Brumário de Luís Bonaparte foi publicado em 1852 em jornais e em 1869 como livro. É a primeira interpretação de um acontecimento histórico no caso o golpe de Estado de Napoleão III, pela teoria do materialismo histórico. Entre os escritos seguintes de Marx Sobre a crítica da economia política em 1859 é, embora breve, também uma crítica da civilização moderna, escrito de transição entre o manuscrito de 1844 e as obras posteriores. A significação dessa posição só foi esclarecida pela publicação (em Moscou, 1939-41, e em Berlim, 1953) de mais uma obra inédita: Esboço de crítica da economia política, escritos em Londres entre 1851 e 1858 e depois deixados sem acabamento final.
    Em 1867 publicou Marx o primeiro volume de sua obra mais importante: O Capital. É um livro principalmente econômico, resultado dos estudos no British Museum, tratando da teoria do valor, da mais-valia, da acumulação do capital etc. Marx reuniu documentação imensa para continuar esse volume, mas não chegou a publicá-lo. Os volumes II e III de O Capital foram editados por Engels, em 1885 e em 1894. Outros textos foram publicados por Karl Kautsky como volume IV (1904-10).


A FILOSOFIA DE MARX

MATERIALISMO DIALÉTICO

    Baseado em Demócrito e Epicuro sobre o materialismo e em Heráclito sobre a dialética (do grego, dois logos, duas opiniões divergentes), Marx defende o materialismo dialético, tentando superar o pensamento de Hegel e Feuerbach.
    A dialética hegeliana era a dialética do idealismo (doutrina filosófica que nega a realidade individual das coisas distintas do "eu" e só lhes admite a idéia), e a dialética do materialismo é posição filosófica que considera a matéria como a única realidade e que nega a existência da alma, de outra vida e de Deus. Ambas sustentam que realidade e pensamento são a mesma coisa: as leis do pensamento são as leis da realidade. A realidade é contraditória, mas a contradição supera-se na síntese que é a "verdade" dos momentos superados. Hegel considerava ontologicamente (do grego onto + logos; parte da metafísica, que estuda o ser em geral e suas propriedades transcendentais ) a contradição (antítese) e a superação (síntese); Marx considerava historicamente como contradição de classes vinculada a certo tipo de organização social. Hegel apresentava uma filosofia que procurava demonstrar a perfeição do que existia (divinização da estrutura vigente); Marx apresentava uma filosofia revolucionária que procurava demonstrar as contradições internas da sociedade de classes e as exigências de superação.
    Ludwig Feuerbach procurou introduzir a dialética materialista, combatendo a doutrina hegeliana, que, a par de seu método revolucionário concluía por uma doutrina eminentemente conservadora. Da crítica à dialética idealista, partiu Feuerbach à crítica da Religião e da essência do cristianismo.
    Feuerbach pretendia trazer a religião do céu para a Terra. Ao invés de haver Deus criado o homem à sua imagem e semelhança, foi o homem quem criou Deus à sua imagem. Seu objetivo era conservar intactos os valores morais em uma religião da humanidade, na qual o homem seria Deus para o homem.
      Adotando a dialética hegeliana, Marx, rejeita, como Feuerbach, o idealismo, mas, ao contrário, não procura preservar os valores do cristianismo. Se Hegel tinha identificado, no dizer de Radbruch, o ser e o dever-ser (o Sen e o Solene) encarando a realidade como um desenvolvimento da razão e vendo no dever-ser o aspecto determinante e no ser o aspecto determinado dessa unidade.
    A dialética marxista postula que as leis do pensamento correspondem às leis da realidade. A dialética não é só pensamento: é pensamento e realidade a um só tempo. Mas, a matéria e seu conteúdo histórico ditam a dialética do marxismo: a realidade é contraditória com o pensamento dialético. A contradição dialética não é apenas contradição externa, mas unidade das contradiçõesidentidade: "a dialética é ciência que mostra como as contradições podem ser concretamente (isto é, vir-a-ser) idênticas, como passam uma na outra, mostrando também porque a razão não deve tomar essas contradições como coisas mortas, petrificadas, mas como coisas vivas, móveis, lutando uma contra a outra em e através de sua luta." (Henri Lefebvre, Lógica formal/ Lógica dialética, trad. Carlos N. Coutinho, 1979, p. 192). Os momentos contraditórios são situados na história com sua parcela de verdade, mas também de erro; não se misturam, mas o conteúdo, considerado como unilateral é recaptado e elevado a nível superior.
    Marx acusou Feuerbach, afirmando que seu humanismo e sua dialética eram estáticas: o homem de Feuerbach não tem dimensões, está fora da sociedade e da história, é pura abstração. É indispensável segundo Marx, compreender a realidade histórica em suas contradições, para tentar superá-las dialeticamente. A dialética apregoa os seguintes princípios: tudo relaciona-se (Lei da ação recíproca e da conexão universal); tudo se transforma (lei da transformação universal e do desenvolvimento incessante); as mudanças qualitativas são conseqüências de revoluções quantitativas; a contradição é interna, mas os contrários se unem num momento posterior: a luta dos contrários é o motor do pensamento e da realidade; a materialidade do mundo; a anterioridade da matéria em relação à consciência; a vida espiritual da sociedade como reflexo da vida material.
    O materialismo dialético é uma constante no pensamento do marxismo-leninismo (surgido como superação do capitalismo, socialismo, ultrapassando os ensinamentos pioneiros de Feuerbach).


MATERIALISMO HISTÓRICO

    Na teoria marxista, o materialismo histórico pretende a explicação da história das sociedades humanas, em todas as épocas, através dos fatos materiais, essencialmente econômicos e técnicos. A sociedade é comparada a um edifício no qual as fundações, a infra-estrutura, seriam representadas pelas forças econômicas, enquanto o edifício em si, a superestrutura, representaria as idéias, costumes, instituições (políticas, religiosas, jurídicas, etc). A propósito, Marx escreveu, na obra A Miséria da filosofia (1847) na qual estabelece polêmica com Proudhon:
    As relações sociais são inteiramente interligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens modificam o seu modo de produção, a maneira de ganhar a vida, modificam todas as relações sociais. O moinho a braço vos dará a sociedade com o suserano; o moinho a vapor, a sociedade com o capitalismo industrial.
    Tal afirmação, defendendo rigoroso determinismo econômico em todas as sociedades humanas, foi estabelecida por Marx e Engels dentro do permanente clima de polêmica que mantiveram com seus opositores, e atenuada com a afirmativa de que existe constante interação e interdependência entre os dois níveis que compõe a estrutura social: da mesma maneira pela qual a infra-estrutura atua sobre a superestrutura, sobre os reflexos desta, embora, em última instância, sejam os fatores econômicos as condições finalmente determinantes.


EXISTENCIALISMO

"O que Marx mais critica é a questão de como compreender o que é o homem. Não é o ter consciência (ser racional), nem tampouco ser um animal político, que confere ao homem sua singularidade, mas ser capaz de produzir suas condições de existência, tanto material quanto ideal, que diferencia o homem."
    Numa leitura existencialista do marxismo, segundo Jean-Paul Sartre, a essência do homem é não ter essência, a essência do homem é algo que ele próprio constrói, ou seja, a História. "A existência precede a essência"; nenhum ser humano nasce pronto, mas o homem é, em sua essência, produto do meio em que vive, que é construído a partir de suas relações sociais em que cada pessoa se encontra. Assim como o homem produz o seu próprio ambiente, por outro lado, esta produção da condição de existência não é livremente escolhida, mas sim, previamente determinada. O homem pode fazer a sua História mas não pode fazer nas condições por ele escolhidas. O homem é historicamente determinado pelas condições, logo é responsável por todos os seus atos, pois ele é livre para escolher. Logo todas as teorias de Marx estão fundamentadas naquilo que é o homem, ou seja, o que é a sua existência. O Homem é condenado a ser livre.
    As relações sociais do homem são tidas pelas relações que o homem mantém com a natureza, onde desenvolve suas práticas, ou seja, o homem se constitui a partir de seu próprio trabalho, e sua sociedade se constitui a partir de suas condições materiais de produção, que dependem de fatores naturais (clima, biologia, geografia...) ou seja, relação homem-Natureza, assim como da divisão social do trabalho, sua cultura. Logo, também há a relação homem-Natureza-Cultura.

POLÍTICA E ECONOMIA

    Se analisarmos o contexto histórico do homem, nos primórdios, perceberemos que havia um espírito de coletivismo: todos compartilhavam da mesma terra, não havia propriedade privada; até a caça era compartilhada por todos. As pessoas que estavam inseridas nesta comunidade sempre se preocupavam umas com as outras, em prover as necessidades uns dos outros. Mas com o passar do tempo, o homem, com suas descobertas territoriais, acabou tornando inevitável as colonizações e, portanto, o escravismo, por causa de sua ambição. O escravo servia exclusivamente ao seu senhor, produzia para ele e o seu viver era em função dele.
    O coletivismo dos índios acabou; e o escravismo se transformou numa nova relação: agora o escravo trabalhava menos para seu senhor, e por seu trabalho conquistava um pedaço de terra para sua subsistência, ou seja, o servo trabalhava alguns dias da semana para seu senhor e outros para si. O feudalismo, então, começava a ser implantado e difundido em todo o território europeu. Esta relação servo-senhor feudal funcionou durante um certo período na história da humanidade, mas, por causa de uma série de fatores e acontecimentos, entre eles o aumento populacional, as condições de comércio (surgia a chance do servo obter capital através de sua produção excessiva), o capitalismo mercantilista, o feudalismo decaiu; e assim, deu espaço a um novo sistema econômico: o capitalismo industrial (que teve seu desenvolvimento por culminar durante a revolução industrial, com o surgimento da classe proletária). Assim, deve-se citar a economia inglesa como ponto de partida para as teorias marxistas.
    Como todo sistema tem seu período de crise, ocasionando uma necessidade de mudança, Adam Smith (o primeiro a incorporar ao trabalho a idéia de riqueza) desenvolve o liberalismo econômico.
    Do latim liberalis, que significa benfeitor, generoso, tem seu sentido político em oposição ao absolutismo monárquico. Os seus principais ideais eram: o Estado devia obedecer ao princípio da separação de poderes (executivo, legislativo e judiciário); o regime seria representativo e parlamentar; o Estado se submeteria ao direito, que garantiria ao indivíduo direitos e liberdades inalienáveis, especialmente o direito de propriedades. E foi isto que fez com que cada sistema fosse modificado.
    Sobretudo também deve-se mencionar David Ricardo, que, mais interessado no estudo da distribuição do que produção das riquezas, estabeleceu, com base em Malthus, a lei da renda fundiária(agrária), segundo a qual os produtos das terras férteis são produzidos a custo menor mas vendidos ao mesmo preço dos demais, propiciando a seus proprietários uma renda fundiária igual à diferença dos custos de produção. A partir da teoria da renda fundiária, Ricardo elaborou a lei do preço natural dos salários, sempre regulada pelo preço da alimentação, vestuário e outros itens indispensáveis à manutenção do operário e seus dependentes.
    Pois, como foi dito anteriormente, com a Revolução Industrial surgiu a classe do proletariado.


A LUTA DE CLASSES

    Pretendendo caracterizar não apenas uma visão econômica da história, mas também uma visão histórica da economia, a teoria marxista também procura explicar a evolução das relações econômicas nas sociedades humanas ao longo do processo histórico. Haveria, segundo a concepção marxista, uma permanente dialética das forças entre poderosos e fracos, opressores e oprimidos, a história da humanidade seria constituída por uma permanente luta de classes, como deixa bem claro a primeira frase do primeiro capítulo d’O Manifesto Comunista:
    A história de toda sociedade passado é a história da luta de classes.
    Classes essas que, para Engels são "os produtos das relações econômicas de sua época". Assim apesar das diversidades aparentes, escravidão, servidão e capitalismo seriam essencialmente etapas sucessivas de um processo único. A base da sociedade é a produção econômica. Sobre esta base econômica se ergue uma superestrutura, um estado e as idéias econômicas, sociais, políticas, morais, filosóficas e artísticas. Marx queria a inversão da pirâmide social, ou seja, pondo no poder a maioria, os proletários, que seria a única força capaz de destruir a sociedade capitalista e construir uma nova sociedade, socialista.
    Para Marx os trabalhadores estariam dominados pela ideologia da classe dominante, ou seja, as idéias que eles têm do mundo e da sociedade seriam as mesmas idéias que a burguesia espalha. O capitalismo seria atingido por crises econômicas porque ele se tornou o impedimento para o desenvolvimento das forças produtivas. Seria um absurdo que a humanidade inteira se dedica-se a trabalhar e a produzir subordinada a um punhado de grandes empresários. A economia do futuro que associaria todos os homens e povos do planeta, só poderia ser uma produção controlada por todos os homens e povos. Para Marx, quanto mais o mundo se unifica economicamente mais ele necessita de socialismo.
    Não basta existir uma crise econômica para que haja uma revolução. O que é decisivo são as ações das classes sociais que, para Marx e Engels, em todas as sociedades em que a propriedade é privada existem lutas de classes (senhores x escravos, nobres feudais x servos, burgueses x proletariados). A luta do proletariado do capitalismo não deveria se limitar à luta dos sindicatos por melhores salários e condições de vida. Ela deveria também ser a luta ideológica para que o socialismo fosse conhecido pelos trabalhadores e assumido como luta política pela tomada do poder. Neste campo, o proletariado deveria contar com uma arma fundamental, o partido político, o partido político revolucionário que tivesse uma estrutura democrática e que buscasse educar os trabalhadores e levá-los a se organizar para tomar o poder por meio de uma revolução socialista.
    Marx tentou demonstrar que no capitalismo sempre haveria injustiça social, e que o único jeito de uma pessoa ficar rica e ampliar sua fortuna seria explorando os trabalhadores, ou seja, o capitalismo, de acordo com Marx é selvagem, pois o operário produz mais para o seu patrão do que o seu próprio custo para a sociedade, e o capitalismo se apresenta necessariamente como um regime econômico de exploração, sendo a mais-valia a lei fundamental do sistema.
    A força vendida pelo operário ao patrão vai ser utilizada não durante 6 horas, mas durante 8, 10, 12 ou mais horas. A mais-valia é constituída pela diferença entre o preço pelo qual o empresário compra a força de trabalho (6 horas) e o preço pelo qual ele vende o resultado (10 horas por exemplo). Desse modo, quanto menor o preço pago ao operário e quanto maior a duração da jornada de trabalho, tanto maior o lucro empresarial. No capitalismo moderno, com a redução progressiva da jornada de trabalho, o lucro empresarial seria sustentado através do que se denomina mais-valia relativa (em oposição à primeira forma, chamada mais-valia absoluta), que consiste em aumentar a produtividade do trabalho, através da racionalização e aperfeiçoamento tecnológico, mas ainda assim não deixa de ser o sistema semi-escravista, pois "o operário cada vez se empobrece mais quando produz mais riquezas", o que faz com que ele "se torne uma mercadoria mais vil do que as mercadorias por ele criadas". Assim, quanto mais o mundo das coisas aumenta de valor, mais o mundo dos homens se desvaloriza. Ocorre então a alienação, já que todo trabalho é alienado, na medida em que se manifesta como produção de um objeto que é alheio ao sujeito criador. O raciocínio de Marx é muito simples: ao criar algo fora de si, o operário se nega no objeto criado. É o processo de objetificação. Por isso, o trabalho que é alienado (porque cria algo alheio ao sujeito criador) permanece alienado até que o valor nele incorporado pela força de trabalho seja apropriado integralmente pelo trabalhador. Em outras palavras, a produção representa uma negação, já que o objeto se opõe ao sujeito e o nega na medida em que o pressupõe e até o define. A apropriação do valor incorporado ao objeto graças à força de trabalho do sujeito-produtor, promove a negação da negação. Ora, se a negação é alienação, a negação da negação é a desalienação. Ou seja, a partir do momento que o sujeito-produtor dá valor ao que produziu, ele já não está mais alienado.

Pausa para um desabafo pessoal
       A esta altura da leitura você, esmagado muito mais pela propaganda do que pela verdade científica ou histórica, deve estar se perguntando: "Mas peraí, o comunismo não acabou? O comunismo não deu certo?" Caso seja o caso, remeto ao magnífico trabalho do comunista peruano (que teve a vida tristemente ceifada cedo demais) O Homem e o Mito, particularmente no trecho em que ele explica porque motivos a Fé num Futuro Humanista para a Sociedade do Homo Sapiens jamais se abala: “A cada experiência frustrada, recomeçam. Não encontraram a solução: a encontrarão. Jamais os assalta a idéia de que a solução não exista. Eis aí sua força”. Por outro lado e na mesma linha - talvez mal comparando, poder-se-ia dizer que o Cristianismo  fracassou rotundamente. Imagine que o personagem histórico Jesus de Nazaré - se é que ele existiu mesmo, há quem duvide, como Brian Fleming... - tivesse oportunidade de verificar de perto as inúmeras e bárbaras atrocidades perpetradas em seu nome pelos anos afora e fosse hoje procurar uma Igreja em que sentisse seu pensamento e seus ensinamentos sendo respeitados e praticados. As atrocidades perpetradas diuturnamente pelos cristãos constitui prova cabal de que as idéias de Jesus   estavam erradas? Pois é...
      A mim causa enorme espanto que os seguidores de um homem capaz de vergastar de azorrague, sem compaixão, os banqueiros de sua época (ainda hoje os críticos do Capital e com muito mais motivo chamamos os mercadores do Capital - parasitas que lucram enormes quantidades de dinheiro com o fruto do trabalho alheio, como banqueiros e jogadores das bolsas de valores de "vendilhões do templo", por sinal). Mas, com o passar dos séculos os que se dizem seguidores de Jesus modificaram tanto as teses e ensinamentos iniciais que há até teorias mirabolantes sobre o quanto o sujeito deve ser rico e estar de bem com o Capital para se sentir e ser tratado como um "vaso de bênção". É evidente que estes criminosos que lucram fábulas vendendo suas religiões em templos luxuosos são ainda mais ateus do que aqueles que ousamos assim nos pronunciar. Se acreditassem, minimamente, am alguma forma de "Juízo Final" se aliariam tão entusiasticamente aos vendilhões do templo humilhando todos os "profetas"? Pronto, fim da pausa para o desabafo, voltemos à seriedade do texto.




CONCEITOS:
CAPITALISMO, SOCIALISMO, COMUNISMO E ANARQUISMO

    O CAPITALISMO tem seu início na Europa. Suas características aparecem desde a baixa idade média (do século XI ao XV) com a transferência do centro da vida econômica social e política dos feudos para a cidade. O feudalismo passava por uma grave crise decorrente da catástrofe demográfica causada pela Peste Negra que dizimou 40% da população européia e pela fome que assolava o povo. Já com o comércio reativado pelas Cruzadas(do século XI ao XII), a Europa passou por um intenso desenvolvimento urbano e comercial e, conseqüentemente, as relações de produção capitalistas se multiplicaram, minando as bases do feudalismo. Na Idade Moderna, os reis expandem seu poderio econômico e político através do mercantilismo e do absolutismo. Dentre os defensores deste temos os filósofos Jean Bodin("os reis tinham o direito de impor leis aos súditos sem o consentimento deles"), Jacques Bossuet ("o rei está no trono por vontade de Deus") e Niccòlo Machiavelli("a unidade política é fundamental para a grandeza de uma nação").
    Com o absolutismo e com o mercantilismo o Estado passava a controlar a economia e a buscar colônias para adquirir metais(metalismo) através da exploração. Isso para garantir o enriquecimento da metrópole. Esse enriquecimento favorece a burguesia - classe que detém os meios de produção - que passa a contestar o poder do rei, resultando na crise do sistema absolutista. E com as revoluções burguesas, como a Revolução Francesa e a Revolução Inglesa, estava garantido o triunfo do capitalismo.
    A partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, inicia-se um processo ininterrupto de produção coletiva em massa, geração de lucro e acúmulo de capital. Na Europa Ocidental, a burguesia assume o controle econômico e político. As sociedades vão superando os tradicionais critérios da aristocracia (principalmente a do privilégio de nascimento) e a força do capital se impõe. Surgem as primeiras teorias econômicas: a fisiocracia e o liberalismo. Na Inglaterra, o escocês Adam Smith (1723-1790), percursor do liberalismo econômico, publica Uma Investigação sobre Naturezas e Causas da Riqueza das Nações, em que defende a livre-iniciativa e a não-interferência do Estado na economia.
    Deste ponto, para a atual realidade econômica, pequenas mudanças estruturais ocorreram em nosso fúnebre sistema capitalista.


SOCIALISMO - A História das Idéias Socialistas possui alguns cortes de importância. O primeiro deles é entre os socialistas Utópicos e os socialistas Científicos, marcado pela introdução das idéias de Marx e Engels no universo das propostas de construção da nova sociedade. O avanço das idéias marxistas consegue dar maior homogeneidade ao movimento socialista internacional.
    Pela primeira vez, trabalhadores de países diferentes, quando pensavam em socialismo, estavam pensando numa mesma sociedade - aquela preconizada por Marx - e numa mesma maneira de chegar ao poder.


COMUNISMO - As idéias básicas de Karl Marx estão expressas principalmente no livro O Capital e n'O Manifesto Comunista, obra que escreveu com Friedrich Engels, economista alemão. Marx acreditava que a única forma de alcançar uma sociedade feliz e harmoniosa seria com os trabalhadores no poder. Em parte, suas idéias eram uma reação às duras condições de vida dos trabalhadores no século XIX, na França, na Inglaterra e na Alemanha. Os trabalhadores das fábricas e das minas eram mal pagos e tinham de trabalhar muitas horas sob condições desumanas.
    Marx estava convencido que a vitória do comunismo era inevitável. Afirmava que a história segue certas leis imutáveis, à medida que avança de um estágio a outro. Cada estágio caracteriza-se por lutas que conduzem a um estágio superior de desenvolvimento. O comunismo, segundo Marx, é o último e mais alto estágio de desenvolvimento.
    Para Marx, a chave para a compreensão dos estágios do desenvolvimento é a relação entre as diferentes classes de indivíduos na produção de bens. Afirmava que o dono da riqueza é a classe dirigente porque usa o poder econômico e político para impor sua vontade ao povo. Para ele, aluta de classes é o meio pelo qual a história progride. Marx achava que a classe dirigente jamais iria abrir mão do poder por livre e espontânea vontade e que, assim, a luta e a violência eram inevitáveis.

ANARQUISMO foi a proposta revolucionária internacional mais importante do mundo durante a segunda metade do século XIX e início do século XX, quando foi substituído pelo marxismo (comunismo). Em suma, o anarquismo prega o fim do Estado e de toda e qualquer forma de governo, que seriam as causas da existência dos males sociais, que devem ser substituídos por uma sociedade em que os homens são livres, sem leis, polícia, tribunais ou forças armadas. A sociedade anarquista seria organizada de acordo com a necessidade das comunidades, cujas relações seriam voltadas ao auto-abastecimento sem fins lucrativos e à base de trocas. A doutrina, que teve em Bakunin seu grande expoente teórico, organizou-se primeiramente na Rússia, expandindo-se depois para o resto da Europa e também para os Estados Unidos. O auge de sua propagação deu-se no final do século XIX, quando agregou-se ao movimento sindical, dando origem ao anarco-sindicalismo, que pregava que os sindicatos eram os verdadeiros agentes das transformações sociais. Com o surgimento do marxismo, entretanto, uma proposta revolucionária mais adequada ao quadro social vigente no século XX, o anarquismo entrou em decadência. Sem, contudo, deixar de ter tido sua importância histórica, como no episódio em que os anarquistas italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti foram executados por assassinato em 1921, nos EUA, mesmo com as inúmeras evidências e testemunhos que provavam sua inocência.

REVISIONISMO

    Depois da morte de Marx e Engels, a rápida industrialização da Alemanha e o fortalecimento do partido social-democrata e dos sindicatos melhoraram muito as condições de vida dos trabalhadores alemães, ao mesmo tempo em que ser tornou cada vez mais improvável a esperada crise fatal do regime capitalista. Eduard Bernstein em seu livro Os pressupostos do socialismo e as tarefas da social-democracia, recomendou abandonar utópicas esperanças revolucionárias e contentar-se, realisticamente com o fortalecimento do poder político e econômico das organizações do proletariado, considerando-se que as previsões marxistas de depauperamento progressivo(esgotar as forças de forma a tornar-se muito pobre) das massas não se tinham verificado.
    Esse "revisionismo" de Bernstein foi combatido pela ortodoxia marxista, representada por Karl Kautsky. Mas praticamente o revisionismo venceu de tal maneira, que a social-democracia alemã abandonou, enfim, o marxismo.
    Ficou isolada a marxista Rosa Luxemburg, que em uma de suas obras adaptou a teoria de Marx às novas condições do imperialismo econômico e político do séc. XX.



NEOMARXISTAS: Fora da Rússia, houve e há várias tentativas de dar ao marxismo outra base filosófica que o materialismo científico do séc. XIX, que já não se afigura bastante sólido a muitos marxistas modernos. Georges Sorel apoiando-se na filosofia do élan vital de Henri Bergson, postulou um movimento antiparlamentar, de violência revolucionária, inspirado pelo "mito" de uma irresistível greve geral.

domingo, 20 de março de 2011

MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA – F. ANGELS E K. MARX – ANÁLISE


ANÁLISE 1

“Por burguesia compreende-se a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social, que empregam o trabalho assalariado. Por proletariado compreende-se a classe dos trabalhadores assalariados modernos que, privados dos meios de produção próprios, se vêem obrigados a vender sua força de trabalho para poder existir.” (Nota de F. Angels à versão Inglesa de 1888)

Com o desenvolvimento da burguesia, isto é, do capital, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos operários modernos, que só podem viver se encontrarem trabalho e que só o encontram na medida em que este aumenta o capital. Esses operários, constrangidos a vender-se diariamente, são mercadoria, artigo de comércio como qualquer outro; em consequência, estão sujeitos a todas as vicissitudes da concorrência, a todas as flutuações do mercado.

O crescente emprego de máquinas e a divisão do trabalho, despojando o trabalho do operário de seu caráter autônomo, tiram-lhe todo o atrativo. O produtor passa a um simples apêndice da máquina e só se requer dele a operação mais simples, mais monótona, mais fácil de aprender. Desse modo, o custo do operário se reduz, quase exclusivamente, aos meios de manutenção que lhe são necessários para viver e procriar. Ora, o preço do trabalho, como de toda mercadoria, é igual ao custo da sua produção. Portanto, à medida que aumenta o caráter enfadonho do trabalho, decrescem o salários. Quanto mais se desenvolvem o maquinismo e a divisão do trabalho, mais aumenta a quantidade de trabalho, quer pelo prolongamento de horas, quer pelo aumento do trabalho exigido em tempo determinado, pela aceleração do movimento das máquinas e etc. A indústria moderna transformou a pequena oficina do antigo mestre da corporação patriarcal na grande fábrica do industrial capitalista. Massas de operários, amontoados na fábrica, são organizadas militarmente. Como soldados da indústria, estão sob a vigilância de uma hierarquia completa de oficiais e suboficiais. Não são somente escravos da classe burguesa, do Estado burguês, mas também diariamente, a cada hora são escravos da máquina, do contramestre e, sobretudo, do dono da fábrica. Esse despotismo é tanto mais mesquinho, odioso e exasperador quanto maior é a franqueza com que proclama ter no lucro seu objetivo exclusivo.

Quanto mais habilidade e força de trabalho exige, isto é, quanto mais a indústria moderna progride, tanto mais o trabalho dos homens é suplantado pelo das mulheres e crianças. As diferenças de idade e de sexo não têm mais importância social para a classe operária. Não há senão instrumentos de trabalho, cujo preço varia segundo a idade e o sexo.

Depois de sofrer a exploração do fabricantes e de receber seu salário em dinheiro, o operário torna-se presa dos outros membros da burguesia, do proprietário, do varejista, do usuário, etc.

As camadas inferiores da classe média de outrora, os pequenos industriais, pequenos comerciantes e pessoas que possuem rendas, artesãos e camponeses, caem nas fileiras do proletariado: uns porque seus pequenos capitais não lhes permite empregá-los nos processos de produção da grande indústria, outros porque sucumbem na concorrência dos grandes capitalistas. Outros ainda porque sua habilidade profissional é depreciada pelos novos métodos de produção. Assim, o proletariado é recrutado em todas as classes da população.

O proletariado passa por diferentes fases de desenvolvimento: logo que nasce começa sua luta contra a burguesia. Em princípio, empenha-se na luta operários isolados, mais tarde, operários de uma mesma fábrica. Finalmente, operários do mesmo ramo de indústria, de uma mesma localidade contra o burguês que os explora diariamente. Não se limitam a atacar as relações burguesas de produção, atacam os instrumentos de produção: destroem as mercadorias estrangeiras que lhes fazem concorrência, quebram as máquinas, queimam as fábricas e esforçam-se para reconquistar a posição perdida do artesão da Idade Média.

Nessa fase, constitui o proletariado massa disseminada por todo o país e dispersa pela concorrência. Se, por vezes, os operários se unem para agir em massa compacta, isto não é ainda o resultado da sua própria união, mas da união da burguesia que, para atingir seus próprios fins políticos é levada a pôr um movimento todo o proletariado, o que ainda pode fazer provisoriamente. Durante essa fase, os proletários não combatem ainda seus próprios inimigos, mas os inimigos de seus inimigos, isto é, os restos da monarquia absoluta, os proprietários territoriais, os burgueses não industriais, os pequenos burgueses.

Todo o movimento histórico está, desse modo, concentrado nas mãos da burguesia e qualquer vitória alcançada nessas condições é uma vitória burguesa. Ora, a indústria, desenvolvendo-se, não somente aumenta o número de proletários, mas concentra-os em massas cada vez mais consideráveis; sua força cresce e eles adquirem maior consciência dela. Os interesses e as condições de existência dos proletários se igualam cada vez mais, à medida que a máquina extingue toda diferença do trabalho e quase por toda parte reduz o salário a um nível igualmente baixo. Em virtude da concorrência crescente dos burgueses entre si devido às crises comerciais que disso resultam, os salários se tornam cada vez mais instáveis: o aperfeiçoamento constante e cada vez mais rápido das máquinas torna a condição de vida do operário cada vez mais precária; os choques individuais entre o operário e o burguês tomam cada vez o caráter de choques entre duas classes. Os operários começam a formar uniões contra burgueses e atuam em comum na defesa de seus salários, chegam a fundar associações permanentes a fim de se prepararem, na previsão daqueles choques eventuais. Aqui e ali a luta se transforma em rebelião.

Os operários triunfam às vezes, mas é um triunfo efêmero. O verdadeiro resultado de suas lutas não é êxito imediato, mas a união é cada vez mais ampla entre os trabalhadores. Essa união é facilitada pelo crescimento dos meios de comunicação criados pela grande indústria e que permitem contato entre os operários de localidades diferentes. Ora, basta esse contato para concentrar as numerosas lutas locais que têm o mesmo caráter em toda parte, em uma luta nacional, uma luta de classes. Mas toda luta de classes é uma luta política. E a união que os burgueses da Idade Média levavam séculos para realizar, com seus caminhos vicinais, os proletários modernos realizam em poucos anos por meio das vias férreas.

A organização do proletariado em classe e, portanto, em partido político é incessantemente destruída pela concorrência que fazem entre si os próprios operários. Mas renasce sempre e cada vez mais forte, mais firme, mais poderosa. Aproveita-se as divisões intestinas da burguesia para obrigá-la ao reconhecimento legal de certos interesses da classe operária, como por exemplo, a lei da jornada de dez horas de trabalho na Inglaterra.


ANÁLISE 2: 



Manifesto Comunista fez a humanidade caminhar. Não em direção ao paraíso, mas na busca (raramente bem sucedida, até agora) da solução de problemas como a miséria e a exploração do trabalho. Rumo à concretização do princípio, teoricamente aceito há 200 anos, diz que "todos os homens são iguais". E sublinhando a novidade que afirmava que os pobres, os pequenos, os explorados também podem ser sujeitos de suas vidas.

    Por isso é um documento histórico, testemunho da rebeldia do seres humanos. Seu texto, racional, aqui e ali bombástico e, em diversas passagens irônico, mal esconde essa origem comum com homens e mulheres de outros tempos: o fogo que acendeu a paixão da Liga dos Comunistas, reunida em Londres no ano de 1847, não foi diferente do que incendiou corações e mentes na luta contra a escravidão clássica, contra a servidão medieval, contra o obscurantismo religioso e contra todas as formas de opressão.
    A Liga dos Comunistas encomendou a Marx e a Engels a elaboração de um texto que tornasse claros os objetivos dela e sua maneira de ver o mundo. E isto foi feito pelos dois jovens, um de 30 e o outro de 28 anos. Portanto, o Manifesto Comunista é um conjunto afirmativo de idéias, de "verdades" em que os revolucionários da época acreditavam, por conterem, segundo eles, elementos científicos – um tanto economicistas – para a compreensão das transformações sociais. Nesse sentido, o Manifesto é mais um monumento do que um documento... Pétreo, determinante, forte: letras, palavras, e frases que queriam Ter o poder de uma arma para mudar o mundo, colocando no lugar "da velha sociedade burguesa uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada membro é a condição para o desenvolvimento de todos."
    O Manifesto tem uma estrutura simples: uma breve introdução, três capítulos e uma rápida conclusão.
    A introdução fala com um certo orgulho, do medo que o comunismo causa nos conservadores. O "fantasma" do comunismo assusta os poderosos e une, em uma "santa aliança", todas as potências da época. É a velha "satanização" do adversário, que está "fora da ordem", do "desobediente". Mas o texto mostra o lado positivo disso: o reconhecimento da força do comunismo. Se assusta tanto, é porque tem alguma presença. Daí a necessidade de expor o modo comunista de ver o mundo e explicar suas finalidades, tão deturpadas por aqueles que o "demonizam".
    A parte I, denominada "Burgueses e Proletários", faz um resumo da história da humanidade até os dias de então, quando duas classes sociais antagônicas (as que titulam o capítulo) dominam o cenário.
    A grande contribuição deste capítulo talvez seja a descrição das enormes transformações que a burguesia industrial provocava no mundo, representando "na história um papel essencialmente revolucionário".
    Com a argúcia de quem manejava com destreza instrumentos de análise socioeconômica muito originais na época, Marx e Engels relatam (com sincera admiração !) o fenômeno da globalização que a burguesia implementava, mundializando o comércio, a navegação, os meios de comunicação.
    O Manifesto fala de ontem mas parece dizer de hoje. O desenvolvimento capitalista libera forças produtivas nunca vistas, "mais colossais e variadas que todas as gerações passadas em seu conjunto". O poderio do capital que submete o trabalho é anunciado e nos faz pensar no agora do revigoramento neoliberal: nos últimos 40 anos deste século XX, foram produzidos mais objetos do que em toda a produção econômica anterior, desde os primórdios da humanidade.
    A revolução tecnológica e científica a que assistimos, cujos ícones são os computadores e satélites e cujo poder hegemônico é a burguesia, não passa de continuação daquela descrita noManifesto , que "criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egito, que os aquedutos romanos e as catedrais góticas; conduziu expedições maiores que as antigas migrações de povos e cruzadas". Um elogio ao dinamismo da burguesia ?
    Impiedoso com os setores médios da sociedade – já minoritários nas formações sociais mais conhecidas da Europa - , o Manifesto chega a ser cruel com os desempregados, os mendigos, os marginalizados, "essa escória das camadas mais baixas da sociedade", que pode ser arrastada por uma revolução proletária mas, por suas condições de vida, está predisposta a "vender-se à reação". Dá a entender que só os operários fabris serão capazes de fazer a revolução.
    A relativização do papel dos comunistas junto ao proletariado é o aspecto mais interessante da parte II, intitulada "Proletários e Comunistas".
    Depois de quase um século de dogmatismos, partidos únicos e "de vanguarda" portadores de verdade inteira, é saudável ler que "os comunistas não formam um partido à parte, oposto a outros partidos operários, e não têm interesses que os separem do proletariado em geral".
    Embora, sem qualquer humildade, o Manifesto atribua aos comunistas mais decisão, avanço, lucidez e liderança do que às outras frações que buscam representar o proletariado, seus objetivos são tidos como comuns: a organização dos proletários para a conquista do poder político e a destruição de supremacia burguesa.
    O "fantasma" do comunismo assombrava a Europa e o livro procura contestar, nessa parte, todos os estigmas que as classes poderosas e influentes jogavam sobre ele. Vejamos alguns desses estigmas, bastante atuais, e a resposta do Manifesto:
    Os comunistas querem acabar com toda a propriedade, inclusive a pessoal !
    Você já deve ter ouvido isso... Em 1989, no Brasil, quando Lula quase chegou lá, seus adversários espalharam o boato de que as famílias de classe média teriam que dividir suas casas com os sem-teto... A bobagem é velha, de 150 anos. Marx e Engels responderam que queriam abolir a propriedade burguesa, capitalista. Para os socialistas, a apropriação pessoal dos frutos do trabalho e aqueles bens indispensáveis à vida humana eram intocáveis. Ao que se sabe, roupas, calçados, moradia não são geradores de lucros para quem os possui... O Manifesto a esse respeito, foi definitivo, apesar de a propaganda anticomunista e burra não ter lhe dado ouvidos: "O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, tira apenas o poder de escravizar o trabalho de outrem por meio dessa apropriação."

    Os comunistas querem acabar com a família e com a educação !
    Sempre há alguém pronto para falar do comunista "comedor de criancinha". Ao ouvir isso, não deixe de indagar se uma família pode viver com o salário mínimo, o pai e mão desempregados e uma moradia sem fornecimento de água e sem luz. E se uma criança pode ser educada para a vida numa escola pública abandonada pelo governo, que finge que paga aos professores e funcionários. Na sociedade capitalista a educação é, ela própria, um comércio, uma atividade lucrativa...
    Os comunistas querem socializar as mulheres !
    Essa fazia parte do catecismo de "satanização" das idéias socialistas. "Para o burguês, sua mulher nada mais é que um instrumento de produção. Ouvindo dizer que os instrumento de produção serão postos em comum, ele conclui naturalmente que haverá comunidade de mulheres. O burguês não desconfia que se trata precisamente de dar à mulher outro papel que o de simples instrumento de produção." É bom lembrar que alguns socialistas, até hoje, não conseguiram aceitar essa nova compreensão da mulher. O machismo nega o marxismo...
    A parte III, denominada "Literatura Socialista e Comunista" faz fortes críticas às diferentes correntes socialistas da época.
    O Manifesto corta com a afiada faca da ironia três tipos de socialismo da época: o "socialismo reacionário" (subdividido em socialismo feudal, socialismo pequeno-burguês e socialismo alemão, o "socialismo conservador e burguês" e o "socialismo e comunismo crítico-utópico".
    Nesse capítulo a obra mostra seu caráter temporal, quase local. Revela sua profunda imersão na efervescência das idéias e combates daquela época, quando a aristocracia, para salvar os dedos já sem seus ricos anéis, condena a burguesia e, numa súbita generosidade, tece loas a um vago socialismo.
    A conclusão, "Posição dos Comunistas Diante dos Diferentes Partidos de Oposição" é um relato das táticas adotadas naquele momento pelos comunistas, na França, na Suíça, na Polônia e na Alemanha. Estados Unidos e Rússia, que viviam momentos de alta tensão social e política, não são mencionados, como reconheceu Engels em maio de 1890, ao destacar com sinceridade "o quanto era estreito o terreno de ação do movimento proletário no momento da primeira publicação do Manifesto em fevereiro de 1848".
    O Manifesto Comunista como não poderia deixar de ser, termina triunfalista e animando. Não quer espiritualizar e sim emocionar para a luta. Curiosamente, retoma a idéia do "fantasma", ao desejar que "as classes dominantes tremam diante da idéia de uma revolução comunista". Os proletários, que têm um mundo a ganhar com a revolução, também são, afinal, conclamados, na célebre frase, que tantos sonhos, projetos de vida e revoluções sociais já inspirou:

"PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS !"
 
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